O sol a pino naquele deserto árido que se equiparava a mente daqueles do outro lado do mundo. Ele se levantou com uma dor insuportável e sob confusão absoluta. A sua frente viu somente os destroços do avião que ao invés de levá-lo para um descanso temporário havia tentado levá-lo ao descanso eterno. Os corpos recém expirados ou jaziam desorganizadamente junto aos destroços ou haviam sido atirados longe nas dunas, membros soltos compunham uma visão surreal descansando naturalmente sobre a areia. A aeronave ainda pegava fogo, o que aumentava o calor inerente a paisagem. Lembrou-se de si mesmo. As roupas rasgadas, o corpo cheio de sangue, suor e areia. Cortes profundos revelavam sua carne viva. Mesmo com a dor, conseguiu arrastar-se para longe dos destroços e com o peso dos ferimentos caiu de bruços e se entregou a morte. Porem a morte não se entregara a ele. Abriu os...
Quaisquer fossem as suas inspirações para chegar até aqui, quaisquer fossem as forças interiores e anteriores que o regiam até esse momento fatal, não havia nada que houvesse preparado-o para as experiências que vinha tendo somadas àquelas que viria a ter. A vertigem da eternidade, o silêncio do eterno, o frio da solidão, todos eles se misturavam em uma amalgama que confundia sonho e realidade, expectativa e medo, incerteza e rotina. Já não havia mais pedra para se agarrar. Os portos quase todos ruíram, as ilhas submergiram frente aos temporais que assolavam a terra naquele período. Um ou outro farol brilhava, longínquo, fosco, tão distante que não era possível distingui-lo de uma remota miragem, que, por força do desejo, se põe no horizonte, sem compromisso de se tornar verdade. Agora eu boiava. Já não me debatia mais contra as ondas. Tentava só manter o rosto fora d'água. Respirar. A respiração, como já ensinavam os antigos iogues, é a fronteira entre o consciente e o incons...
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